quinta-feira, 15 de setembro de 2016

1.09 - Brazil Day em Londres. O brasileiro sai do Brasil, mas o Brasil nunca sai do brasileiro.



E aí, galera!!!

Vamos falar sobre um assunto que afeta e afetará 10 entre 10 brasileiros que decidiram viver fora do país (inclusive este que vos escreve :P ), seja por um tempo, seja definitivamente: a temida saudade do Brasil.

Sim, não é uma lenda. Você em algum momento sentirá saudades do seu país de origem, por melhor e mais incrível que seja o país destino. E você não demora para perceber o quanto do seu país vive fortemente dentro de você. No último 10 de setembro rolou em Londres a edição inglesa do Brazil Day, celebração anual da cultura brasileira que ocorre em Londres sempre no primeiro fim de semana após o dia da independência do Brasil.

Você com certeza já deve ter ouvido algum amigo que mora fora falar algo como "Do Brasil, só sinto saudades da família e dos amigos, mais nada". Balela! Desafio esse seu amigo esnobe a dizer isso diante do cheirinho da Picanha na brasa, do espetinho de boteco, da coxinha de frango, de uma deliciosa feijuca, do som ao vivo delicioso da nossa MPB ou se deparando com produtos clássicos do Brasil, que vão desde saco de arroz Tio João, latinha de Guaraná Antártica, garrafa de suco Maguarí, até chegar na Pipoca Yoki, no Açaí na tigela... Tudo isso e muito mais estava disponível no evento Brazil Day 2016, que aconteceu na Trafalgar Square, um dos pontos turísticos mais visitados do centro de Londres.


Muitas das coisas que vi lá eu sequer consumia quando vivia no Brasil. Mas é incrível perceber como todas elas estavam enraizadas no meu imaginário, e como um sorriso natural e uma exclamação de "Nossa, olha isso!!!" brotavam da minha boca quase que instantaneamente a cada "surpresa" com a qual me deparava. Também era surpreendente ver, nos intervalos entre os shows, pessoas que aparentavam jamais terem sido pagodeiras quando viviam no Brasil (a julgar pelas as vestimentas, estilos, tatoos e adereços que usavam) quase implorando para o DJ que executava clássicos nacionais em sua pick up, "tocar mais samba". É bem possível que muitos deles nem gostassem tanto de samba assim quando viviam no Brasil. É até provável que falassem mal do ritmo. Mas quando você está fora do país, tudo o que te reconecta de alguma forma com a cultura brasileira tem um efeito nostálgico reconfortante, e nossa música, em especial o samba, é talvez o maior exemplo disso. De repente, você ama o samba desde pequenininho hahaha!

Esqueça aquele papo de "estereótipos". Você vai perceber quando estiver fora do país que os tais "estereótipos injustos" são muito mais justos e muito menos "estereótipos".
Mais engraçado do que se pegar dando conta de sua brasilidade justamente quando está fora do Brasil é se divertir e se orgulhar com os gringos participando do evento, saboreando as guloseimas nacionais e se divertindo, dançando (ou tentando dançar...), vindo até você elogiar e fazer perguntas sobre os artistas ou bandas que estão no palco (no caso, Tulipa Ruiz, Metá Metá, Lia Sophia e Aloizio Menezes, representantes da nova MPB que foram convidados pela Embaixada Brasileira em Londres para serem as estrelas musicais do evento) ou vindo dizer que são apaixonados pelo Brasil, pela originalidade, pela cultura, pelas pessoas...

Como eu costumo dizer, talvez deixar o Brasil seja a melhor e mais efetiva forma de aprender a ama-lo ainda mais. O fato de você ter um sonho de viver fora e conhecer novas culturas não te fará menos brasileiro (ainda que alguns tentem transparecer o contrário por aí...). Ao contrário: é convivendo com outras culturas e estando longe da sua, que você toma consciência de sua brasilidade e com ela se reconecta em seu máximo esplendor. É quando você percebe o que te faz brasileiro e o que nos faz diferentes dos demais.

Aliás, já comentei com vocês a emoção que é ver uma bandeira brasileira hasteada pelas ruas de outro país? É, meu amigo, não se iluda: O Brasileiro pode até sair do Brasil, mas o Brasil jamais - ênfase no JAMAIS - sai do Brasileiro.

Canal "Rumo a Londres" do YouTube:
https://www.youtube.com/channel/UCszTwStSGRy2aKEyiZXvm-A
Pagina oficial "Rumo a Londres" no Facebook:
https://www.facebook.com/olalondres/

terça-feira, 30 de agosto de 2016

1.08- Diferenças culturais existem! Metrô no Brasil vs Metrô de Londres que o digam!

E aí pessoal, beleza pura com vocês?
O post de hoje é para comentar que, passadas 3 semanas em Londres, fica impossível não perceber que as diferenças culturais realmente existem.

Londres é uma cidade fantástica por ser absurdamente multicultural. É uma cidade onde o que você menos encontra são ingleses propriamente ditos. A grande maioria das pessoas que você encontra nas ruas são imigrantes, ou descendentes deles. A vizinhança onde vivo é dominada por imigrantes. Árabes, latinos, poloneses, etc... Não é à toa que Londres foi uma das poucas cidades do Reino Unido que votou majoritariamente contra a saída dos ingleses da União Europeia. Em Londres, não seria tão exagerado dizer que o cidadão "100% inglês" que é o estranho no ninho e a minoria.

Porém, não se engane. O fato de ser talvez a cidade mais multicultural e harmônica do mundo não evita que os londrinos, de onde quer que tenham vindo, tenham criado uma cultura própria da cidade e tenham influência da cultura tradicional inglesa.
Dizem que é nos detalhes que estão as grandes diferenças, e você descobrirá ao viver em outro país que esta é talvez a maior das verdades. Quer um exemplo?

Recentemente estava eu numa estação de metrô durante o Carnaval de Notting Hill. Por conta do evento, as placas sinalizadoras das plataformas dentro da estação estavam mudadas. Como não sabia para qual plataforma deveria ir, resolvi perguntar a dois seguranças que estavam do lado das catracas. Como os dois estavam entretidos conversando, fiz o que quase todo o brasileiro faz inconscientemente: toquei levemente no braço de um deles com o dedo para atrair sua atenção, e educadamente perguntei para que lado eu deveria ir.
O segurança respondeu prontamente de forma super educada me indicando o lugar, super atencioso mesmo. Quando eu já estava para seguir meu caminho, ele me chamou - sem me tocar - e me advertiu, em inglês: "Jovem, neste país, jamais toque em alguém como você fez. Isso soará desrespeitoso e pode te colocar em problemas". Eu fiquei sem ação, só consegui responder "I'm sorry", e ele novamente me interrompeu educadamente "Sem problemas, eu entendo. Você deve ser novo aqui, mas tome cuidado com isso."

Brasileiros são normalmente super expansivos, e mesmo que por instinto, usam contato físico pra tudo, seja pra chamar a atenção cutucando no ombro, braço, costas dos demais, seja para se despedir com um abraço caloroso de colegas (não haverá esse calor recíproco no abraço do londrino ou do europeu em geral; você até sente o desconforto por parte dele apesar de ele não falar), seja para dar um beijo no rosto de uma moça que acaba de conhecer... coisas naturais para nós, mas tidas como invasivas e abusivas por alguns nestas bandas.


E eu citei o contato físico, mas tem também o contato visual. Ainda citando como exemplo o metrô, existe algo como uma regra social subliminar: As pessoas não se olham, nem querem ser olhadas no metrô. E ninguém melhor que o brasileiro acostumado com o metrô de São Paulo para sentir na pele a diferença. Quem vive aqui durante a viagem para o metrô lê jornal, olha para o celular, finge que dorme, olha para o teto, para um ponto imaginário, enfim, faz qualquer coisa para não se pegar olhando pra alguém (ou ser pego olhando pra alguém).

Apesar de perceber isso logo no primeiro dia em que cheguei, meu lado brasileiro sempre fala mais alto, e vira e mexe olho pra coisas e pessoas que chamam minha atenção. Semana passada, uma mulher entrou no metrô com duas crianças, lindas, parecendo anjos. Olhei sorrindo para uma delas, que estava sorrindo para mim, encantado com a aparência de porcelana da criança. E quando dou por mim, vejo a mãe me fuzilando com os olhos, e quando ela percebeu que eu vi, ela fez questão de virar a criança para a direção dela, mostrando que não tinha gostado. Logicamente esse é um exemplo extremo. Na maioria das vezes, as pessoas apenas se sentem incomodadas, mas não demonstram. E não se pode generalizar: existem aqueles que não estão nem aí pra essas convenções sociais. Mas essas convenções implícitas existem aqui, como em qualquer lugar do mundo, e não devem ser ignoradas - e muito menos subestimadas.


Aliás, o metrô londrino deveria ser usado para estudos sobre o comportamento humano. Ao contrário do que acontece no metrô de São Paulo onde as leis da física são constantemente desafiadas, o metrô de Londres segue à risca as leis da física, especialmente aquela que diz que "Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo". Muitos londrinos são espaçosos - na visão de um paulista acostumado com o aperto dos metrôs de Sampa, claro. E prezam DEMAIS por sua individualidade. Não importa quão cheio esteja o vagão ou quanta gente esteja esperando na estação para entrar no trem no horário de pico: o londrino irá abrir e ler seu jornal como se estivesse numa sala de estar sim, vai ficar sentado com as pernas cruzadas ou esticadas sim, vai ficar a, no mínimo, um palmo de um outro ser humano sim, vai ficar fixo como um poste em seu lugar sim e não vai encostar nem ser encostado sim. E se você achar ruim, que espere outro metrô, porque ninguém vai abrir mão de seu espaço ou conforto só para que você possa entrar.

Ninguém vai te olhar como coitadinho, nem terão pena por você estar atrasado - até porque estar atrasado nem pega bem em Londres, onde normalmente impera a pontualidade britânica e o planejamento prévio. E nem se atreva sequer a pensar em empurrar alguém para abrir um espaço, nem usar a velha manha paulista de entrar de costas para que as pessoas sejam empurradas naturalmente quando a porta fechar e assim você conquiste seu lugar ao sol, digo, vagão. Você provavelmente será o único a fazê-lo, quebrando um código social, invadindo o espaço do outro e cometendo uma tremenda falta de educação, tudo ao mesmo tempo, e será impossível prever a reação de suas "vítimas".

Isso pode parecer arrogância e frescura do ponto de vista de um brasileiro acostumado a tratar e ser tratado feito gado no transporte coletivo, e responder com o famoso "achou ruim, vai de taxi” para quem ainda se incomoda com isso no Brasil. Mas existem vantagens neste comportamento que fariam uma diferença absurda no dia a dia de muitos brasileiros. Vou dar um único exemplo disso, que as mulheres principalmente entenderão mais. Mulheres que são constantemente encoxadas no metrô de São Paulo muitas vezes não tem coragem de reagir nem denunciar, porque sempre vão correr o risco de que se use o argumento de que o metrô estava lotado, e de que não era um abuso sexual, mas sim apenas uma consequência da superlotação, e ainda de ser chamada de frescurenta por dezenas de desconhecidos.

Como esquecer da menina que quase sofreu estupro coletivo no metrô de SP ao reclamar com o cara que a estava encoxando? O cara se fez de vítima, os demais passageiros o apoiaram e ainda gritavam "estupra de verdade pra ela ver a diferença". E quatro rapazes agarraram a menina, que só não foi estuprada porque uma passageira a ajudou a escapar do vagão antes que o pior acontecesse. Lembram disso? Além disso, a lotação impede que as pessoas vejam o que acontece no meio da muvuca e por isso geralmente não há testemunhas, e se a mulher reagir e o homem for cara de pau o suficiente para acusá-la de estar louca, ganha quem falar mais alto e convencer a plateia. No metrô de Londres isso dificilmente aconteceria pois esse espaço entre as pessoas e a cultura do "não me toque" provavelmente coíbe esse tipo de abuso. Claro que isso deve acontecer também em Londres, pois tarados sempre dão seu jeito de agir, mas ainda que aconteça, haveria mais chance de ficar claro para todos no vagão o que está havendo. A mulher aqui talvez não se sinta tão insegura ou com medo de não acreditarem nela.

Diferenças culturais são importantes exatamente por isso: nos fazem refletir sobre os tipos de vida que vivemos até então e as alternativas que existem mundo a fora.

E você? Já sentiu essas diferenças ou outras? Comenta aí embaixo!

Não deixe de curtir nossa página do face e se inscrever no nosso canal do Youtube:
Canal "Rumo a Londres" do YouTube:
https://www.youtube.com/channel/UCszTwStSGRy2aKEyiZXvm-A
Pagina oficial "Rumo a Londres" no Facebook:
https://www.facebook.com/olalondres/

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

1.07 - Enfim em Londres. A primeira aventura você nunca esquece...



Enfim chegou o grande momento. Estou em Londres!!!

Fiz uma viagem bem tranquila, um ótimo voo e uma conexão igualmente tranquila. Os serviços de bordo eram tão bons que pude até acompanhar ao vivo, do início ao fim, a abertura (belíssima por sinal) das Olimpíadas do Rio 2016. Além do mais, a cidadania europeia ajudou muito na imigração, pois passei rapidamente nos dois aeroportos europeus, sem pergunta alguma e sem fila. Apenas coloquei o passaporte na catraca eletrônica e...  voilá! Nunca tinha sido tão fácil e sem constrangimentos passar pelo setor de imigração no exterior.

Aventura mesmo eu vivi após entrar oficialmente na cidade e decidir chegar à casa onde eu estou morando. Isso porque eu decidi fazê-lo de metrô. Eu não iria perder a oportunidade de testar se chegar à cidade e se locomover por ela de forma eficiente usando apenas o metrô era verdade ou lenda urbana, né?
Inclusive falo sobre isso no vídeo abaixo, entre as três das várias coisas que vem me chamando atenção desde que cheguei em Londres:

 Só tinha esquecido de um detalhe. Eu estava sem internet porque não havia habilitado roaming e não havia WiFi grátis no metrô. Resultado: precisei descobrir à moda antiga como chegar em casa usando o Tube. Em São Paulo isso seria relativamente simples, pois não há muito o que errar. Mesmo em New York ou Boston seria tranquilo, pois a organização das linhas é bem linear e relativamente simples para um recém-chegado se habituar.


Só que Londres não é assim. Longe disso. O mapa das linhas de trem, metrô e DLR é uma verdadeira teia de aranha, onde várias linhas se conectam, começam, terminam e até mesmo se cruzam sem conexão, em vários pontos da cidade. Como cheguei pelo London City International Airport (o único aeroporto que fica realmente dentro da cidade de Londres, o mais recentemente construído e o menor dos 6 aeroportos Londrinos), a saída desse aeroporto é direto na linha de DLR, que não tem ligação direta com a linha azul de metrô (a famosa Picadilly Line) onde eu precisaria chegar. Foram três baldeações para chegar lá. Agora imagina descobrir isso num mapa gigante pendurado na estação. Parecia aqueles joguinhos "ligue os pontos" daquelas pequenas revistas "passatempo".


Fora que nas estações com conexão com outras linhas, para cada lado que você vai dentro da estação, é uma linha diferente que você encontra. E nenhum mapa te ensina a caminhar dentro da estação rsrsrs. Porém as estações eram excelentemente bem sinalizadas, só que você leva tempo para se habituar e se adaptar aos novos padrões de informação tão diferentes dos que existem no Metrô de São Paulo. Foi aí que eu percebi como o Citymapper e o Google Maps fazem uma falta absurda – aliás, por nada no mundo deixe de baixar o Citymapper antes de vir pra cá, pois em Londres ele é melhor e bem mais eficiente do que o Google Maps, ao contrário do que acontece em São Paulo.


E no fim da aventura no metrô acabei lembrando que, quando chegasse na estação de Manor House, eu precisaria avisar o dono da casa que aluguei, para que ele fosse me encontrar e me levar até a casa, a pedido dele. Não teve jeito, tive que comprar o acesso de um dia de WiFi pago da estação (pela bagatela de 2 libras!!!) para poder fazer a ligação. E reconheci que seria pouco proveitoso tentar viver em Londres sem um número de celular local nesse início.





Aliás, esta é uma dica que é importante pra quem quer se locomover apenas por transporte coletivo e não quer passar perrengue tendo que procuar coisas em mapas físicos: Venha com o app Citymapper, que é usado para saber como chegar a determinado endereço, loja, estabelecimento ou qualquer outro ponto da cidade da cidade de carro, bicicleta, andando ou transporte público, instalado no seu celular e, se possível, adquira um chip pré-pago - que aqui se chama SIM CARD Pay as you go - assim que chegar em Londres. Dependendo do aeroporto, haverão lojas das principais operadoras (no caso do London City Airport não há, mas nos aeroportos maiores existe sim).Se não for possível comprar o chip no aeroporto, use o Citymapper para traçar a rota de metrô ainda dentro do aeroporto, que possui WiFi gratis por 60 minutos, e se esquecer e o seu orçcamento permitir, compre um passe para usar o WiFi dentro do metrô disponibilizado pela operadora Virgin por 2 Libras.


Não tive dúvidas. No dia seguinte, pleno domingão, fui na loja de uma operadora de celular daqui, chamada "3", e comprei meu chip pré pago (que mesmo sendo pré e custando apenas 15 Libras para adquirir o chip e começar a usar, te dá Internet 4G ilimitada por 1 mês e 3 mil minutos de ligação para telefones dentro da grande Londres... aprende, VIVO, CLARO, OI e TIM)

E essa foi apenas a primeira aventura. Nesta primeira semana vivendo aqui, já iniciei meus estudos de Inglês Acadêmico na St Giles, já fiz mini cruzeiro pelo Rio Tâmisa, já agendei uma entrevista no Job Center para tirar o National Insurance Number (espécie de carteira de trabalho feat número do INSS daqui) e até já abri uma conta bancária num banco londrino com direito a reunião com gerente e tudo, entre outros desafios cotidianos que um simples turista normalmente não enfrenta, e são sempre uma grande adrenalina já que são situações para as quais nenhum curso de Inglês te preparou, mas que você precisa se virar e botar tudo que você aprendeu à prova.

Mas é justamente esse o lado apaixonante de efetivamente morar fora. É como se você pudesse exercer sua maturidade e suas responsabilidades do zero, em outro lugar, e com a oportunidade de reescrever -ou não- a forma como encara a vida cotidiana. Literalmente, é a vida lhe dando a oportunidade de recomeçar. E eu estou adorando!

Canal "Rumo a Londres" do YouTube:
https://www.youtube.com/channel/UCszTwStSGRy2aKEyiZXvm-A
Pagina oficial "Rumo a Londres" no Facebook:
https://www.facebook.com/olalondres/

terça-feira, 2 de agosto de 2016

1.06 - A ficha caiu!!! Arrumando as malas na última semana no Brasil...


Estes últimos dias não tem sido muito fáceis. Até sexta-feira passada eu confesso que acreditava estar lhe dando muito bem com esse grande passo que irei dar. Seria apenas mais uma grande mudança na minha vida... ao menos era o que eu achava até então.

Foi-se quase 1 ano esperando por esta semana. E apenas vislumbrando o futuro, sem uma lágrima até então, a não ser as lágrimas derramadas na festa surpresa de despedida que minha família organizou para mim dias atrás, e que foi o dia mais feliz da minha vida. Mas não tem quem resista ao momento de tirar as coisas dos armários e fazer as malas.

E hoje sei que não foi por acaso que enrolei tanto para fazer as malas e esvaziar os móveis.... No fundo eu sabia que no momento em que começasse esse processo, aquela relação tranquila com o fato de estar deixando o país iria ganhar ares menos racionais e mais emocionais.

Quando você vai fazer uma viagem com prazo para voltar, arrumar as malas não costuma te afetar muito. Até porque você tem a certeza de que seu porto seguro ainda é ali e tem data marcada pra voltar ao seu ninho, que provavelmente estará intocado, do jeito que você o deixou, e apenas irá ganhar mais coisas e histórias pra contar, trazidas de sua última viagem.

Só que quando você vai para uma viagem com passagem apenas de ida, a coisa muda de figura. E só passando pela situação para saber o que se sente, pois com palavras é quase impossível descrever com clareza as sensações. Quando você começa a mexer em suas coisas acumuladas com carinho em armários e pastas de documentos e lembranças nesta situação, são várias as sensações que se misturam, e confesso ser a primeira vez que passei por esse turbilhão de emoções. 

De alguma forma, aquilo que você está desenterrando de seus armários é sua história de vida. São pequenas coisas que, quando reunidas fora dos armários, contam no detalhe quem é você, pelo que você passou e como chegou até aquele momento e até aquela decisão.

Você relembra coisas que sua memória seletiva já havia arquivado, e tem a sensação de que é a última vez que vai ver tudo aquilo exatamente como você está vendo. Aquele espaço, aquele quarto, aqueles armários, aquele guarda-roupa, nada daquilo é mais seu. Seu porto seguro está oficialmente deixando de existir.

E aí a ficha cai de verdade. Você está indo embora. Aquele quarto vai ficar para trás, e como é impossível levar tudo, muita coisa que fez parte da sua formação como pessoa também ficará pra trás junto com ele. Pela primeira vez em 12 meses, chorei sozinho em meu quarto. Chorei várias vezes, a cada pasta, a cada livro, a cada carta, a cada brinquedo escondido, a cada lembrança que encontrava. É como se você estivesse se despedindo de você mesmo.

A sensação é de ruptura. É de encerramento de um ciclo. É de não ter certeza de nada sobre o ciclo que irá se iniciar quando o dia 05/08 chegar e eu embarcar naquele avião.

Até aquele momento, apenas o futuro me importava e meu foco estava totalmente concentrado nele. Quando a ficha cai, porém, o passado entra na parada para te lembrar que tudo o que virá é consequência, e joga na sua cara que essa nova aventura só foi possível porque ele, o passado, existiu antes desse futuro que você espera chegar, e esse seu passado maroto veio cobrar a fatura pelos serviços prestados pra que este futuro exista. Fatura paga com lágrimas e pensamentos profundos, oriundos de sentimentos de saudade e nostalgia antecipadas que me invadiram durante todo o sábado e domingo.

Mas principalmente, lágrimas de gratidão, por cada coisa que vivi, por cada momento que passei, por cada pessoa que a vida colocou em meu caminho e que ajudou a pavimentar esse caminho. E obviamente, gratidão por esse passado. Dou a mão à palmatória: se não fosse por ele, que foi o responsável por moldar esse meu caráter e esse meu sonho, eu jamais poderia realizar nada, nem teria chegado até aqui.

Mas para que se possa construir uma nova história, precisamos deixar as antigas para trás e abrir uma nova página no livro da vida. Tenho certeza que meu passado irá entender. E se não tenho certezas quanto ao que o futuro me reserva, a mais importante das certezas eu tenho: tudo até aqui valeu a pena. E a melhor forma de agradecer a esse passado do qual tanto aprendi e com o qual tanto cresci, é batalhar bastante para esse futuro que sonhei para mim se torne meu presente, e assim continuar lembrando - e dando eternamente razão ao passado - de que tudo, absolutamente tudo, valeu a pena!

Ai.. Ai... Ai ai... tá chegando a hora. O dia já vem.. raiando meu bem... e tenho que ir embora...

Canal "Rumo a Londres" do YouTube:
Pagina oficial "Rumo a Londres" no Facebook:

terça-feira, 26 de julho de 2016

1.05 - Meus Planos para Londres


Cá estou eu aqui com um novo post pra você!

Antes de começar o post de hoje, quero avisar que o nosso segundo video do Canal Rumo a Londres no YouTube já está no ar, onde faço uma introdução dos tipos de Visto e da Cidadania Européia necessários para viver lá.


Voltando ao post...

Frequentemente as pessoas gostam de saber o que eu pretendo fazer em Londres, e quais meus planos para aproveitar ao máximo esta experiência.

Então vou compartilhar com vocês também os meus planos para essa aventura - cujo início inclusive já está chegando, afinal faltam só 10 dias para a viagem - e quem sabe tenhamos metas em comum, não é mesmo?

Eu estou indo para Londres com o intuito de estudar e trabalhar. 
O projeto de estudos é bem ambicioso, onde fechei ainda no Brasil um curso de Inglês para Universidade, que inclui também um curso preparatório para o exame de proficiência "IELTS". Decidi fazer este curso avançado de Inglês porque, apesar de já ter nível Avançado em Inglês, tenho como objetivo cursar pós-graduação ou mestrado em Finance and Risk Management em 2017, e preciso estar com o Inglês universitário afiado, já que cursos assim costumam nos exigir apresentações de seminários, além da elaboração e defesa de teses. Serão 6 meses de estudo da língua com enfoque na fluência e no uso universitário.



Depois de pesquisar muito, acabei escolhendo a escola de Inglês londrina chamada St. Gilles para esse curso avançado. Futuramente, farei um post comentando porque escolhi essa escola e aproveitarei para apresentar outras opções de escolas que me chamaram bastante a atenção. Alguma delas com certeza se encaixará no seu objetivo e principalmente no seu bolso.



O curso vai de agosto de 2016 até janeiro de 2017, e, terminando este curso e com o resultado do IELTS nas mãos, devo então iniciar um aplication para algumas universidades, entre elas a London School of Economics (LSE), que como já comentei em posts anteriores, é meu sonho de consumo. Mas não descarto também a possibilidade de cursar uma universidade fora do Reino Unido. 

Tenho um projeto educacional que visa tornar "Finanças" um assunto acessível para os brasileiros, e conseguir estar em uma instituição reconhecida nos campos de Economia e Finanças será importantíssimo para colocar este projeto no melhor nível possível.



Apesar de ter economizado o necessário para poder focar apenas nos estudos durante os 6 primeiros meses minha estadia, meu objetivo é conseguir trabalho a partir do segundo mês morando em Londres, para que eu não esgote minhas reservas financeiras no Brasil ao longo dessa viagem, e para que eu consiga arcar com parte ou todo o custo de vida de Londres utilizando apenas o que eu ganhar em Libras. 
E na melhor das hipóteses, recuperar o investimento no Curso de Inglês e conseguir ainda guardar algum dinheiro para outras metas que tenho em mente.

Estou pensando em procurar emprego apenas a partir do segundo mês porque quero viver o primeiro mês de forma intensa como estudante-turista, da mesma forma que vivi os intercâmbios anteriores que fiz, curtindo ao máximo a cidade e até mesmo o país, como um turista deslumbrado com suas maravilhas, antes de me tornar um cidadão londrino honorário. Afinal depois que nos tornamos cidadãos de fato, com trabalho e afazeres rotineiros e diários numa megalópole, tendemos a não aproveitar com a mesma paixão e entusiasmo todas as maravilhas que a cidade nos oferece.

Quanto ao tipo de emprego que eu toparia, como o objetivo é apenas recuperar e guardar parte do dinheiro que investi, não tenho restrições. É lógico que eu iria adorar trabalhar logo de cara em algo voltado a gestão de riscos ou mercado financeiro, mas sei que recém-chegados em Londres costumam ser admitidos em empregos mais simples, a fim de conseguir experiência no mercado de trabalho londrino para, num futuro próximo, serem aceitos em um cargo que exija mais confiança e responsabilidade na área de formação. 

Então, nesse início eu toparei qualquer emprego descente que surgir, desde lavar pratos até ser vendedor na Apple Store, haha! Humildade, excelência, perseverança, honestidade e paciência sempre nos levam ao que realmente queremos.


Se pretendo conhecer outros países europeus neste meio tempo? Mas é claro, haha! 
Pretendo turistar muito pela Europa ao longo de minha estadia por lá! Tenho que aproveitar enquanto o Reino Unido ainda está na U.E. e as portas de todos os países ainda são livres para entrarmos e sairmos quando quisermos. Minha primeira parada será provavelmente Portugal, onde quero visitar parentes queridos que tenho lá e que só conheço pelas redes sociais. 
Mas também quero conhecer a Espanha, a França, a Alemanha, os países Escandinavos, e principalmente a Grécia, entre outros.

Mas e você? Compartilhe comigo nos comentários o que você planeja ou gostaria de fazer durante uma eventual estadia em Londres, ou o que está fazendo, caso já esteja por lá.

Até a próxima!

Canal "Rumo a Londres" do YouTube:
Pagina oficial "Rumo a Londres" no Facebook:

sexta-feira, 22 de julho de 2016

1.04 - Não tenha apenas sonhos. Tenha um plano e execute-o!


What's up, my friends!?!

Bem vindo a mais um post novinho do blog Rumo a Londres!
Assim como muitos de vocês que estão aqui lendo este post, eu sou um eterno sonhador. De verdade. Adoro cultivar sonhos, porém mais do que isso, meu maior prazer é tornâ-los realidade.

E para isso, não importa sua idade, ou mesmo sua condição social. Estes pormenores podem ser obstáculos que você precisará saltar em sua corrida rumo ao seu objetivo, mas jamais podem ser encarados como o fim da linha para você. Nunca é tarde para correr atrás de realizações. E assim como sonhar não paga imposto, planejar a forma de alcançâ-lo e o tempo necessário para conquista-lo é na maioria das vezes um investimento - seja de tempo, esforço, e/ou dinheiro - com retorno garantido.





Nos últimos anos, e mais especialmente nestes últimos meses, muita coisa linda aconteceu em minha vida. Muitos sonhos e metas que incubei por anos enfim puderam tornar-se realidade. Mas é preciso que se diga, nada acontece com passe de mágica.
Para que cada um deles acontecesse, #hardwork (trabalhar duro) foi fundamental. E quando digo "trabalhar duro" não estou falando apenas daquele trabalho que você executa das 08:00 as 17:00. Ao contrário, este talvez seja o menos relevante entre os trabalhos que verdadeiramente te fazem chegar lá. Basicamente, aquele trabalho das 08:00 as 17:00 tem uma única função na maioria dos sonhos que pretendemos realizar: juntar o dinheiro necessário, no caso do seu sonho depender quase que obrigatoriamente de ter grana suficiente para chegar lá.

O #hardwork mais importante acontece exatamente nos tempos "livres", que é o momento em que você tem para pensar em um plano e estabelecer metas para chegar aos objetivos que você deseja.


No caso de ir viver no exterior, isso é ainda mais verdade. É preciso dedicar um tempo considerável pesquisando e correndo atrás de muita coisa. Vou citar apenas alguns exemplos, mas que costumam ser os mais corriqueiros e importantes de que antes da realização, vem sempre o bom e velho #hardwork:


-Pesquisar e providenciar a documentação necessária para poder viajar e, se for o objetivo, viver no país destino. E isso vai desde as questões de vistos, até um demorado e complicado processo de solicitação de dupla cidadania.

- Pesquisar sobre o destino escolhido, os costumes, o comportamento do clima em cada mês do ano, até para saber se você tem as roupas necessárias, e caso não as tenha, pesquisar preços aqui no Brasil e no país destino para definir se vale mais a pena comprar aqui ou lá - eu citei o exemplo de roupas, mas isso se estende para qualquer coisa que você possa imaginar.


- Se você vai estudar neste destino, precisa pesquisar as opções de cursos que mais se adequam para as suas necessidades e qual das inúmeras escolas te entregam o melhor custo benefício.


- Se você pretende viver fora, precisa pesquisar muito sobre o custo de vida onde você viverá, e quanto em média você vai precisar gastar e economizar para viver a experiência com a menor chance de passar perrengue. E acredite, conseguir essas informações dá um trabalho.


- Escolher a moradia e buscar as referências para não cair em um golpe - já que em cidades como Londres, o pagamento do aluguel é feito de forma adiantada para um desconhecido em um outro país apenas para que ele segure sua vaga


- Caçar promoções de passagens aéreas para não pagar uma verdadeira fortuna.


- Investir pesado no aprendizado da língua da cidade onde você pretende viver. Como sempre digo, a melhor maneira de aprender não apenas o inglês, como também todas as demais línguas, é através do self-learning. Nenhuma escola tradicional te fará fluente, você só chega a fluência justamente quando também pratica -e muito - fora da escola. E isso irá fazer toda a diferença no tipo de trabalho que você poderá conseguir no país destino


- Em posse de todos os dados pesquisados, é importante fazer um planejamento financeiro e social da viagem, onde você vai saber quanto será necessário para o período de tempo planejado e o que você poderá - ou deverá - fazer durante esse tempo. Isso faz toda a diferença para antever perrengues e até para saber por quanto tempo você pode relaxar durante a experiência de viver fora e a partir de que ponto precisará encontrar uma fonte de renda local se quiser permanecer no país destino sem esgotar suas economias no Brasil.


- Pesquisar cotações da moeda utilizada no país que você escolheu e manter-se antenado em notícias que possam afetar as cotações a seu favor.


- Se precisar trabalhar no país-destino, é sempre bom já sair do Brasil tendo pesquisado como está o mercado de trabalho no país-destino, em especial para estrangeiros, e assim tendo bem claras as opções que terá e onde essas opções de trabalho estão acessíveis. Assim você não ficará refém do acaso e da sorte quando estiver lá. Em Londres por exemplo, existem até sites de recrutamento onde você pode se cadastrar e já concorrer a vagas ainda estando no Brasil.





Enfim, são muitas coisas que você precisa fazer para não apenas tirar seu sonho da cabeça e traze-lo para a vida real, mas também para evitar que seu sonho se torne um pesadelo ou um ambiente de frustração.

Quando decidi criar este blog, a fanpage e o canal do YouTube, minha intenção foi justamente aliviar um pouco esse trabalho para os que forem viver a experiência depois de mim. Mas o #hardwork vai continuar sendo necessário, até porque de nada adiantará você ter acesso a todas as informações relevantes possíveis, se depois não separar tempo para trabalhar em cima dessas informações.

E quando eu digo que qualquer um consegue realizar aquilo que se propõe e planeja, não estou sendo demagogo nem ingênuo. O tempo necessário para realizar esse sonho pode ser maior ou menor para cada um, mas a realização é um fato, a partir do momento em que você foca nesta meta, e se direciona a fazer com que tudo em sua vida sejam ferramentas para atingir esta meta.

Por isso, o título deste post não poderia ser mais verdadeiro. 
Não tenha apenas os sonhos. Tenha um plano. E execute-o.
Até a próxima!

Obs: Na terça feira, as 18:00, lanço um novo vídeo no nosso canal Rumo a Londres no YouTube, o primeiro de uma minissérie focada exclusivamente em vistos e dupla cidadania para estudar, passear ou viver em Londres. Fique ligado.


Inscreva-se no Canal "Rumo a Londres" do YouTube:
https://www.youtube.com/channel/UCszTwStSGRy2aKEyiZXvm-A
Curta a Pagina Oficial "Rumo a Londres" no Facebook:
https://www.facebook.com/olalondres

terça-feira, 19 de julho de 2016

1.03 - Brexit, um pesadelo no sonho do cidadão europeu?



Hello, my friends!

O tema de hoje não poderia ser diferente. Estaria o Brexit jogando água no chope de quem sonha em viver legalmente em Londres e em todo o Reino Unido como cidadão europeu?


Antes do post em si, com muito orgulho eu anuncio que o o primeiro video de nosso canal no Youtube já está no ar. Se você ainda não viu, veja abaixo:


Voltando... 

Dando início ao nosso tema de hoje, sobre as influências do Brexit sobre nossos sonhos londrinos, antes de mais nada, deixe eu explicar para os menos familiarizados o que é o tal Brexit de que tanto se fala. No dia 23 de junho, os ingleses, escoceses, irlandeses e galeses foram as urnas responder a um Referendo em que tinham que votar se queriam que o Reino Unido continuasse integrado à União Europeia ou deveriam deixar o bloco. Para surpresa geral, a intenção de o Reino Unido deixar a bloco da União Europeia venceu, com 52% dos votos. A saída do Reino Unido da U.E. é o que se chama de BREXIT (abreviação de Britain Exit)

Sim, os cidadãos ingleses decidiram que seus países não fariam mais parte da U.E.

Isso gerou pânico entre os imigrantes com cidadania europeia que estão no Reino Unido e a pessoas que, como eu, ainda pretendem ir para lá. Em especial porque rumores sensacionalistas começaram a se propagar feito pólvora via redes sociais.

Mas calma, meus amigos. O Brexit ainda não deve ser o pesadelo que vai sobrepujar o seu sonho. 


O Sonho ainda não acabou. E explicarei porque:
O Bloco da União Europeia tem leis rígidas que regem todos os países membros, e as leis preveem a possibilidade de um membro entrar no grupo ou deixa-lo. No caso do país que opta por deixar a U.E., existe a lei 50, que determina que um país que queira deixar a U.E precise notificar formalmente o bloco com um aviso prévio de 2 anos. Ou seja, mesmo o Brexit tendo vencido o Referendo, o Reino Unido é obrigado por lei a permanecer como membro da U.E e continuar seguindo suas regras e os tratados de livre circulação de cidadãos do bloco por, no mínimo, mais dois anos após a data da notificação.

A notificação ainda não aconteceu, mas supondo que ela ocorra em janeiro de 2017, que é o que muito se especula, e que os políticos britânicos a frente do processo deram a entender este domingo 17/07, o Reino Unido terá que permanecer como membro até o fim de 2018, no mínimo.

Esses dois anos são exigidos justamente para que se negociem os termos de saída ou até mesmo para que o país tenha tempo de refletir os impactos e decida desistir de deixar a U.E.
Resumindo: ao menos até o fim de 2018, nada muda nem para quem está lá, nem para os que chegarem lá nos próximos meses.

Aí com certeza virá a outra pergunta: mas e a partir de 2019, caso a saída seja oficializada? A resposta é tão nebulosa quanto a pergunta. Como nunca houve um caso de um país membro pedir pra deixar a U.E - o mais próximo que tivemos disso foi a Grécia, o que acabou sendo contornado antes de acontecer - o processo que se seguirá será totalmente novo para todos os envolvidos. A verdade é essa: Não se sabe exatamente o que irá acontecer.

Os analistas especulam que para os imigrantes que já estiverem lá de forma legalizada, nada deve mudar depois que o Reino Unido abandonar definitivamente a U.E., pois na teoria, futuras leis em relação a imigração após o Brexit ser concretizado só valeriam para aqueles que chegassem após a data de corte, já que quem chegou antes se beneficiaria de uma espécie de direito adquirido. 

Ou seja, você tem em teoria pouco menos de 2 anos para se planejar e ir para o Reino Unido. Alguns analistas especulam até que alterações em direitos dos imigrantes europeus no Reino Unido levariam até 10 anos para acontecerem. Ou seja, muita água poderá rolar antes de, de fato, a saída do Reino Unido da U.E. afete os atuais direitos que os imigrantes com cidadania europeia têm por lá. A única certeza que existe é que não há certeza alguma.

O Secretário Nacional britânico, David Davis
No último domingo, 17 de julho, o Secretário de Estado inglês David Davis foi além. Insinuou que usará a questão dos imigrantes dentro da U.E para barganhar com a União Europeia como será a permanência de ingleses que moram em países do bloco. Segundo ele, se espera generosidade por parte da U.E em relação as garantias dos direitos de ingleses que residem em países que permanecem no Bloco, para que o Reino Unido conceda a mesma generosidade em relação as garantias dos direitos dos imigrantes que vivem legalmente no Reino Unido.

Ou seja, dependendo de como a União Européia decidirá tratar os imigrantes ingleses que vivem em seus países após as negociações, existe a possibilidade de absolutamente nada mudar para os imigrantes europeus por parte do Reino Unido também. Óbvio que esse é o cenário mais otimista, já que é difícil que a U.E. seja tão benevolente com os dissidentes. Mas é uma possibilidade que não pode ser descartada.

Por isso, você que ainda pretende ir para Londres ou qualquer cidade da Inglaterra ou de outro país do Reino Unido, não deve desistir. Ao contrário, comece desde já a se planejar financeiramente, providenciar documentos necessários e/ou acelerar a emissão da sua Cidadania Europeia caso você tenha direito a uma, e se mande para o Reino Unido o quanto antes, se possível até meados de 2018. E fique atento as noticias envolvendo as negociações relacionadas aos imigrantes neste período.

E não tenham dúvidas de que irei mantendo vocês informados, tanto aqui no Blog, como em nossa página no facebook e em nosso canal no YouTube. Por isso, tranquilizem-se e corram atrás do seu objetivo.

Cartazes espalhados por Londres, em apoio aos imigrantes e contra a xenofobia

.

Ah, uma última informação que vale a pena: apesar da maioria do povo inglês que votou para a saída do bloco, os cidadãos de Londres votaram em peso para que o Reino Unido permanecesse, pois é uma cidade cosmopolita que valoriza e precisa dos imigrantes para funcionar. Existem até movimentos sociais pedindo que Londres continue regida pelas leis da U.E mesmo após a saída da Inglaterra. Lógico, é algo meio utópico que não vejo acontecer. Mas é um gesto que mostra que, ao contrário das cidades do interior inglês, Londres ainda nos aceitará de braços abertos por lá.

O sonho ainda não acabou.

Canal "Rumo a Londres" do YouTube:
Pagina Oficial "Rumo a Londres" no Facebook: