terça-feira, 19 de julho de 2016

1.03 - Brexit, um pesadelo no sonho do cidadão europeu?



Hello, my friends!

O tema de hoje não poderia ser diferente. Estaria o Brexit jogando água no chope de quem sonha em viver legalmente em Londres e em todo o Reino Unido como cidadão europeu?


Antes do post em si, com muito orgulho eu anuncio que o o primeiro video de nosso canal no Youtube já está no ar. Se você ainda não viu, veja abaixo:


Voltando... 

Dando início ao nosso tema de hoje, sobre as influências do Brexit sobre nossos sonhos londrinos, antes de mais nada, deixe eu explicar para os menos familiarizados o que é o tal Brexit de que tanto se fala. No dia 23 de junho, os ingleses, escoceses, irlandeses e galeses foram as urnas responder a um Referendo em que tinham que votar se queriam que o Reino Unido continuasse integrado à União Europeia ou deveriam deixar o bloco. Para surpresa geral, a intenção de o Reino Unido deixar a bloco da União Europeia venceu, com 52% dos votos. A saída do Reino Unido da U.E. é o que se chama de BREXIT (abreviação de Britain Exit)

Sim, os cidadãos ingleses decidiram que seus países não fariam mais parte da U.E.

Isso gerou pânico entre os imigrantes com cidadania europeia que estão no Reino Unido e a pessoas que, como eu, ainda pretendem ir para lá. Em especial porque rumores sensacionalistas começaram a se propagar feito pólvora via redes sociais.

Mas calma, meus amigos. O Brexit ainda não deve ser o pesadelo que vai sobrepujar o seu sonho. 


O Sonho ainda não acabou. E explicarei porque:
O Bloco da União Europeia tem leis rígidas que regem todos os países membros, e as leis preveem a possibilidade de um membro entrar no grupo ou deixa-lo. No caso do país que opta por deixar a U.E., existe a lei 50, que determina que um país que queira deixar a U.E precise notificar formalmente o bloco com um aviso prévio de 2 anos. Ou seja, mesmo o Brexit tendo vencido o Referendo, o Reino Unido é obrigado por lei a permanecer como membro da U.E e continuar seguindo suas regras e os tratados de livre circulação de cidadãos do bloco por, no mínimo, mais dois anos após a data da notificação.

A notificação ainda não aconteceu, mas supondo que ela ocorra em janeiro de 2017, que é o que muito se especula, e que os políticos britânicos a frente do processo deram a entender este domingo 17/07, o Reino Unido terá que permanecer como membro até o fim de 2018, no mínimo.

Esses dois anos são exigidos justamente para que se negociem os termos de saída ou até mesmo para que o país tenha tempo de refletir os impactos e decida desistir de deixar a U.E.
Resumindo: ao menos até o fim de 2018, nada muda nem para quem está lá, nem para os que chegarem lá nos próximos meses.

Aí com certeza virá a outra pergunta: mas e a partir de 2019, caso a saída seja oficializada? A resposta é tão nebulosa quanto a pergunta. Como nunca houve um caso de um país membro pedir pra deixar a U.E - o mais próximo que tivemos disso foi a Grécia, o que acabou sendo contornado antes de acontecer - o processo que se seguirá será totalmente novo para todos os envolvidos. A verdade é essa: Não se sabe exatamente o que irá acontecer.

Os analistas especulam que para os imigrantes que já estiverem lá de forma legalizada, nada deve mudar depois que o Reino Unido abandonar definitivamente a U.E., pois na teoria, futuras leis em relação a imigração após o Brexit ser concretizado só valeriam para aqueles que chegassem após a data de corte, já que quem chegou antes se beneficiaria de uma espécie de direito adquirido. 

Ou seja, você tem em teoria pouco menos de 2 anos para se planejar e ir para o Reino Unido. Alguns analistas especulam até que alterações em direitos dos imigrantes europeus no Reino Unido levariam até 10 anos para acontecerem. Ou seja, muita água poderá rolar antes de, de fato, a saída do Reino Unido da U.E. afete os atuais direitos que os imigrantes com cidadania europeia têm por lá. A única certeza que existe é que não há certeza alguma.

O Secretário Nacional britânico, David Davis
No último domingo, 17 de julho, o Secretário de Estado inglês David Davis foi além. Insinuou que usará a questão dos imigrantes dentro da U.E para barganhar com a União Europeia como será a permanência de ingleses que moram em países do bloco. Segundo ele, se espera generosidade por parte da U.E em relação as garantias dos direitos de ingleses que residem em países que permanecem no Bloco, para que o Reino Unido conceda a mesma generosidade em relação as garantias dos direitos dos imigrantes que vivem legalmente no Reino Unido.

Ou seja, dependendo de como a União Européia decidirá tratar os imigrantes ingleses que vivem em seus países após as negociações, existe a possibilidade de absolutamente nada mudar para os imigrantes europeus por parte do Reino Unido também. Óbvio que esse é o cenário mais otimista, já que é difícil que a U.E. seja tão benevolente com os dissidentes. Mas é uma possibilidade que não pode ser descartada.

Por isso, você que ainda pretende ir para Londres ou qualquer cidade da Inglaterra ou de outro país do Reino Unido, não deve desistir. Ao contrário, comece desde já a se planejar financeiramente, providenciar documentos necessários e/ou acelerar a emissão da sua Cidadania Europeia caso você tenha direito a uma, e se mande para o Reino Unido o quanto antes, se possível até meados de 2018. E fique atento as noticias envolvendo as negociações relacionadas aos imigrantes neste período.

E não tenham dúvidas de que irei mantendo vocês informados, tanto aqui no Blog, como em nossa página no facebook e em nosso canal no YouTube. Por isso, tranquilizem-se e corram atrás do seu objetivo.

Cartazes espalhados por Londres, em apoio aos imigrantes e contra a xenofobia

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Ah, uma última informação que vale a pena: apesar da maioria do povo inglês que votou para a saída do bloco, os cidadãos de Londres votaram em peso para que o Reino Unido permanecesse, pois é uma cidade cosmopolita que valoriza e precisa dos imigrantes para funcionar. Existem até movimentos sociais pedindo que Londres continue regida pelas leis da U.E mesmo após a saída da Inglaterra. Lógico, é algo meio utópico que não vejo acontecer. Mas é um gesto que mostra que, ao contrário das cidades do interior inglês, Londres ainda nos aceitará de braços abertos por lá.

O sonho ainda não acabou.

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