terça-feira, 2 de agosto de 2016

1.06 - A ficha caiu!!! Arrumando as malas na última semana no Brasil...


Estes últimos dias não tem sido muito fáceis. Até sexta-feira passada eu confesso que acreditava estar lhe dando muito bem com esse grande passo que irei dar. Seria apenas mais uma grande mudança na minha vida... ao menos era o que eu achava até então.

Foi-se quase 1 ano esperando por esta semana. E apenas vislumbrando o futuro, sem uma lágrima até então, a não ser as lágrimas derramadas na festa surpresa de despedida que minha família organizou para mim dias atrás, e que foi o dia mais feliz da minha vida. Mas não tem quem resista ao momento de tirar as coisas dos armários e fazer as malas.

E hoje sei que não foi por acaso que enrolei tanto para fazer as malas e esvaziar os móveis.... No fundo eu sabia que no momento em que começasse esse processo, aquela relação tranquila com o fato de estar deixando o país iria ganhar ares menos racionais e mais emocionais.

Quando você vai fazer uma viagem com prazo para voltar, arrumar as malas não costuma te afetar muito. Até porque você tem a certeza de que seu porto seguro ainda é ali e tem data marcada pra voltar ao seu ninho, que provavelmente estará intocado, do jeito que você o deixou, e apenas irá ganhar mais coisas e histórias pra contar, trazidas de sua última viagem.

Só que quando você vai para uma viagem com passagem apenas de ida, a coisa muda de figura. E só passando pela situação para saber o que se sente, pois com palavras é quase impossível descrever com clareza as sensações. Quando você começa a mexer em suas coisas acumuladas com carinho em armários e pastas de documentos e lembranças nesta situação, são várias as sensações que se misturam, e confesso ser a primeira vez que passei por esse turbilhão de emoções. 

De alguma forma, aquilo que você está desenterrando de seus armários é sua história de vida. São pequenas coisas que, quando reunidas fora dos armários, contam no detalhe quem é você, pelo que você passou e como chegou até aquele momento e até aquela decisão.

Você relembra coisas que sua memória seletiva já havia arquivado, e tem a sensação de que é a última vez que vai ver tudo aquilo exatamente como você está vendo. Aquele espaço, aquele quarto, aqueles armários, aquele guarda-roupa, nada daquilo é mais seu. Seu porto seguro está oficialmente deixando de existir.

E aí a ficha cai de verdade. Você está indo embora. Aquele quarto vai ficar para trás, e como é impossível levar tudo, muita coisa que fez parte da sua formação como pessoa também ficará pra trás junto com ele. Pela primeira vez em 12 meses, chorei sozinho em meu quarto. Chorei várias vezes, a cada pasta, a cada livro, a cada carta, a cada brinquedo escondido, a cada lembrança que encontrava. É como se você estivesse se despedindo de você mesmo.

A sensação é de ruptura. É de encerramento de um ciclo. É de não ter certeza de nada sobre o ciclo que irá se iniciar quando o dia 05/08 chegar e eu embarcar naquele avião.

Até aquele momento, apenas o futuro me importava e meu foco estava totalmente concentrado nele. Quando a ficha cai, porém, o passado entra na parada para te lembrar que tudo o que virá é consequência, e joga na sua cara que essa nova aventura só foi possível porque ele, o passado, existiu antes desse futuro que você espera chegar, e esse seu passado maroto veio cobrar a fatura pelos serviços prestados pra que este futuro exista. Fatura paga com lágrimas e pensamentos profundos, oriundos de sentimentos de saudade e nostalgia antecipadas que me invadiram durante todo o sábado e domingo.

Mas principalmente, lágrimas de gratidão, por cada coisa que vivi, por cada momento que passei, por cada pessoa que a vida colocou em meu caminho e que ajudou a pavimentar esse caminho. E obviamente, gratidão por esse passado. Dou a mão à palmatória: se não fosse por ele, que foi o responsável por moldar esse meu caráter e esse meu sonho, eu jamais poderia realizar nada, nem teria chegado até aqui.

Mas para que se possa construir uma nova história, precisamos deixar as antigas para trás e abrir uma nova página no livro da vida. Tenho certeza que meu passado irá entender. E se não tenho certezas quanto ao que o futuro me reserva, a mais importante das certezas eu tenho: tudo até aqui valeu a pena. E a melhor forma de agradecer a esse passado do qual tanto aprendi e com o qual tanto cresci, é batalhar bastante para esse futuro que sonhei para mim se torne meu presente, e assim continuar lembrando - e dando eternamente razão ao passado - de que tudo, absolutamente tudo, valeu a pena!

Ai.. Ai... Ai ai... tá chegando a hora. O dia já vem.. raiando meu bem... e tenho que ir embora...

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Um comentário:

  1. Fala Luiz! É o Lucao do improVIVAção!
    Quanta emoção nesse texto! Consegui sentir esse turbilhão aqui do outro lado!
    Me fez lembrar muito de que em 3 horas, tudo o que havíamos conquistado tinha sido embalado pela agência de mudanças. E nosso ninho também ficou vazio!
    Tenho certeza que com muito hardwork seu passado ficará orgulho do seu presente! Assim como eu já estou por aqui!
    Grande abraço e vamo junto!

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